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ISSN: 2238-5010 - Jornal da UEM nº 115 - Maio/2014

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Pesquisa e tecnologia para processamento de pescados Imprimir E-mail
Jornal 02 - Novembro de 2003

A criação de um núcleo deverá impulsionar o
mercado de curtimento de pele de peixes

Paulino Júnior

A UEM deverá implantar, em breve, um Núcleo de Desenvolvimento de Pesquisa e Transferência de Tecnologia para Processamento de Pescados. A idéia é trabalhar no aperfeiçoamento de técnicas utilizadas no processamento de peles. Com este objetivo estão sendo estudadas parcerias que viabilizariam os recursos financeiros necessários para dar início ao projeto.

A primeira etapa seria a compra e instalação de equipamentos para realizar avaliações de técnicas utilizadas no processamento de peles. De qualquer modo, a plena execução do projeto dependerá da construção de um prédio de 300m². Para isso, a Universidade conta com a colaboração de empresários. Uma indústria de Palotina, a Trevisan, já doou alguns equipamentos e o gerente da empresa, Nedyr Chiesa, deverá fornecer, junto com alguns empresários, todos os tijolos para a construção.

Mercado de alta rentabilidade

Conforme dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 2000 foram produzidas 108.400 toneladas de peixes tropicais e a aqüicultura brasileira apresentou crescimento anual superior a 25%.

O Paraná é o principal produtor nacional de tilápia e destina a maior parte da produção aos pesque-pagues. O preço para o produtor varia de R$ 1,70 a R$ 2,10 o quilo, e para o consumidor, R$ 4,60. As peles dos peixes, geralmente, são descartadas, impactando o ambiente de maneira negativa.
A professora da UEM afirma que ?a possibilidade de agregar valor ao pescado é muito grande. A pele de peixe representa de 4,5% a 10% do peso do peixe. Para peles de tilápia do Nilo o preço de uma unidade processada e acabada está em torno de R$0,80 a R$1,80, dependendo do tamanho do couro e do tipo de acabamento?; e é importante lembrar que cada peixe rende duas peças de couro. Uma manta de 1m² (de 150 a 200 peles de tilápia) é vendida por até R$ 220,00.

A estimativa de produção de tilápias no Brasil, este ano, é de 86.416 toneladas. Tomando-se por base os números revelados pela professora, a quantidade média de peixes passa de 192 milhões (peso médio de 450 gramas), ou cerca de 384 milhões de peles, que seriam suficientes para produzir mais de 2,1 milhões mantas de 1m². Se cada manda fosse vendida a R$ 200, o valor gerado seria de R$ 420 milhões.

Cláudio Scapinello, integrante da equipe de pesquisadores do núcleo, adianta que poderá ser assinado um convênio com a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, ligada a Presidência da República. ?Se o convênio for concretizado, será dado um passo importante para a implantação do núcleo, mas outros esforços serão necessários para sua complementação tanto em relação aos equipamentos como também em relação às instalações?, comenta o professor, acrescentando que ?o custo global do projeto gira em torno de R$ 600 mil?.

A obtenção de recursos deverá ocorrer, ainda, por meio de outras agências de fomento. O núcleo focará, além dos testes das técnicas de processamento (existentes e novas) de peles de peixes, a organização dos produtores e piscicultores em associação. A intenção é montar curtumes que poderiam gerar emprego e renda e contribuir para a agregação de valor ao produto. ?Os curtumes viabilizariam as pequenas propriedades agropecuárias?, explica a professora Maria Luiza Rodrigues de Souza, coordenadora do projeto e uma das pesquisadoras mais bem conceituadas na área. Também estão previstos a transferência de tecnologia aos produtores, por meio de cursos, encontros técnicos e distribuição de material didático, e a integração do setor aqüícola com o setor de confecções, estimulando a produção e o comércio de peles de peixes.

Numa segunda fase, deverão ser realizadas pesquisas para processamento e acabamento de peles de outros animais de pequeno porte. ?Entretanto, a patente do conhecimento científico será da universidade?, adianta a pesquisadora.

Com o núcleo de pesquisa, a UEM sai na frente no desenvolvimento de novas tecnologias de processamento e acabamento de peles de animais de pequeno porte, em especial peles de peixes, o que já é motivo de comemoração, tendo em vista o potencial econômico da atividade. ?Pesquisas sobre esse subproduto (peles que atualmente são desperdiçadas) poderão permitir a geração de um produto nobre a ser utilizado tanto na indústria de couros quanto na confecção?, espera Scapinello, lembrando que essa possibilidade é fruto da política de qualificação do corpo docente da universidade. ?Todo o esforço empenhando na titulação de mestres e doutores traz como resultados projetos como este, de grande impacto no setor produtivo e no aspecto social, gerando empregos e uma estabilidade maior no campo, com a geração de mais produtos com elevado valor agregado?.

A criação desse núcleo pioneiro de pesquisa, deverá repercutir, fortemente, no setor privado, porque o papel da universidade não é apenas o de gerar a tecnologia, mas transferi-la para a sociedade. ?Além disso, a tecnologia está despertando o interesse de diversos outros países?, afirma a professora.

Como tudo começou

O projeto de instalação do núcleo de pesquisa resulta da repercussão de uma reportagem sobre proces-samento de peles de peixes veiculada pela Globo News. Talvez não por acaso, Antonio Elias, gestor governamental da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, viu a reportagem e convidou a UEM a participar de uma mostra em Santa Catarina.

Na abertura, estiveram presentes o secretário Especial de Aqüicultura e Pesca, José Fritsch, e o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. Eles visitaram o estande da UEM, onde estavam sendo apresentados os trabalhos com peles de peixes. Em seguida, a professora Maria Luiza Rodrigues de Souza conseguiu uma reunião com Fritsch que manifestou apoio ao projeto e pediu o seu envio à secretaria para apreciação.

 

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