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A criação de um núcleo deverá impulsionar o
mercado de curtimento de pele de peixes
Paulino Júnior
A UEM deverá implantar, em breve, um Núcleo de Desenvolvimento de
Pesquisa e Transferência de Tecnologia para Processamento de Pescados.
A idéia é trabalhar no aperfeiçoamento de técnicas utilizadas no
processamento de peles. Com este objetivo estão sendo estudadas
parcerias que viabilizariam os recursos financeiros necessários para
dar início ao projeto.
A primeira etapa seria a compra e instalação de equipamentos
para realizar avaliações de técnicas utilizadas no processamento de
peles. De qualquer modo, a plena execução do projeto dependerá da
construção de um prédio de 300m². Para isso, a Universidade conta com a
colaboração de empresários. Uma indústria de Palotina, a Trevisan, já
doou alguns equipamentos e o gerente da empresa, Nedyr Chiesa, deverá
fornecer, junto com alguns empresários, todos os tijolos para a
construção.
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Mercado de alta rentabilidade
Conforme
dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), em 2000 foram produzidas 108.400 toneladas de
peixes tropicais e a aqüicultura brasileira apresentou crescimento
anual superior a 25%.
O Paraná é o principal
produtor nacional de tilápia e destina a maior parte da produção aos
pesque-pagues. O preço para o produtor varia de R$ 1,70 a R$ 2,10 o
quilo, e para o consumidor, R$ 4,60. As peles dos peixes, geralmente,
são descartadas, impactando o ambiente de maneira negativa.
A
professora da UEM afirma que ?a possibilidade de agregar valor ao
pescado é muito grande. A pele de peixe representa de 4,5% a 10% do
peso do peixe. Para peles de tilápia do Nilo o preço de uma unidade
processada e acabada está em torno de R$0,80 a R$1,80, dependendo do
tamanho do couro e do tipo de acabamento?; e é importante lembrar que
cada peixe rende duas peças de couro. Uma manta de 1m² (de 150 a 200
peles de tilápia) é vendida por até R$ 220,00.
A
estimativa de produção de tilápias no Brasil, este ano, é de 86.416
toneladas. Tomando-se por base os números revelados pela professora, a
quantidade média de peixes passa de 192 milhões (peso médio de 450
gramas), ou cerca de 384 milhões de peles, que seriam suficientes para
produzir mais de 2,1 milhões mantas de 1m². Se cada manda fosse vendida
a R$ 200, o valor gerado seria de R$ 420 milhões. |
Cláudio Scapinello, integrante da equipe de pesquisadores do núcleo,
adianta que poderá ser assinado um convênio com a Secretaria Especial
de Aqüicultura e Pesca, ligada a Presidência da República. ?Se o
convênio for concretizado, será dado um passo importante para a
implantação do núcleo, mas outros esforços serão necessários para sua
complementação tanto em relação aos equipamentos como também em relação
às instalações?, comenta o professor, acrescentando que ?o custo global
do projeto gira em torno de R$ 600 mil?.
A obtenção de
recursos deverá ocorrer, ainda, por meio de outras agências de fomento.
O núcleo focará, além dos testes das técnicas de processamento
(existentes e novas) de peles de peixes, a organização dos produtores e
piscicultores em associação. A intenção é montar curtumes que poderiam
gerar emprego e renda e contribuir para a agregação de valor ao
produto. ?Os curtumes viabilizariam as pequenas propriedades
agropecuárias?, explica a professora Maria Luiza Rodrigues de Souza,
coordenadora do projeto e uma das pesquisadoras mais bem conceituadas
na área. Também estão previstos a transferência de tecnologia aos
produtores, por meio de cursos, encontros técnicos e distribuição de
material didático, e a integração do setor aqüícola com o setor de
confecções, estimulando a produção e o comércio de peles de peixes.
Numa segunda fase, deverão ser realizadas pesquisas para
processamento e acabamento de peles de outros animais de pequeno porte.
?Entretanto, a patente do conhecimento científico será da
universidade?, adianta a pesquisadora.
Com o núcleo de pesquisa, a UEM sai na frente no desenvolvimento de
novas tecnologias de processamento e acabamento de peles de animais de
pequeno porte, em especial peles de peixes, o que já é motivo de
comemoração, tendo em vista o potencial econômico da atividade.
?Pesquisas sobre esse subproduto (peles que atualmente são
desperdiçadas) poderão permitir a geração de um produto nobre a ser
utilizado tanto na indústria de couros quanto na confecção?, espera
Scapinello, lembrando que essa possibilidade é fruto da política de
qualificação do corpo docente da universidade. ?Todo o esforço
empenhando na titulação de mestres e doutores traz como resultados
projetos como este, de grande impacto no setor produtivo e no aspecto
social, gerando empregos e uma estabilidade maior no campo, com a
geração de mais produtos com elevado valor agregado?.
A criação desse núcleo pioneiro de pesquisa, deverá
repercutir, fortemente, no setor privado, porque o papel da
universidade não é apenas o de gerar a tecnologia, mas transferi-la
para a sociedade. ?Além disso, a tecnologia está despertando o
interesse de diversos outros países?, afirma a professora.
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Como tudo começou
O
projeto de instalação do núcleo de pesquisa resulta da repercussão de
uma reportagem sobre proces-samento de peles de peixes veiculada pela
Globo News. Talvez não por acaso, Antonio Elias, gestor governamental
da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, viu a reportagem e
convidou a UEM a participar de uma mostra em Santa Catarina.
Na
abertura, estiveram presentes o secretário Especial de Aqüicultura e
Pesca, José Fritsch, e o Presidente da República, Luís Inácio Lula da
Silva. Eles visitaram o estande da UEM, onde estavam sendo apresentados
os trabalhos com peles de peixes. Em seguida, a professora Maria Luiza
Rodrigues de Souza conseguiu uma reunião com Fritsch que manifestou
apoio ao projeto e pediu o seu envio à secretaria para apreciação. |
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