Jornal da UEM

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ISSN: 2238-5010 - Jornal da UEM nº 118 - Dezembro/2014

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Índios ocuparam a região há três mil anos Imprimir E-mail
Jornal 02 - Novembro de 2003

Cientistas da UEM ajudam a preservar a memória das populações indígenas da região

Paulo Pupim

A presença dos índios nas bacias de alguns rios da região de Maringá é bem mais antiga do que se imagina. Eles eram muitos e viviam em grandes aldeamentos, principalmente ao longo do rio Paraná.

Os Guaranis ocupavam intensamente a região há pelo menos três mil anos. Enquanto eles moravam nos vales, os Caingangues (Kaingang) habitavam sobretudo as regiões mais altas, depois de terem sido "empurrados" pelos Guaranis.

Informações como estas são possíveis graças à atuação de um grupo de pesquisa ligado à UEM que está contribuindo para o conhecimento da pré-história e da história das populações indígenas no Noroeste do Paraná.

Antes dos Guaranis, Xetás, Xoclengues (Xokleng) e Caingan-gues, porém, o território era ocupado pelas tradições Humaitá e Umbu, populações também chamadas de povos caçadores/coletores, que pisaram nessas terras há oito mil anos.

Grupo diversificado

O grupo de pesquisa chama-se Programa Interdisciplinar de Estudos de Populações e desenvolve trabalhos no Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História.

Nele atuam cerca de 25 pesquisadores, entre estudantes e professores de diversas áreas, sob a coordenação do professor Luiz Felipe Viel Moreira, do Departamento de História.
Professores de três outras universidades se juntaram ao grupo. São pesquisadores das Universidades Federal do Paraná, Federal do Mato Grosso do Sul, Estadual do Centro Oeste Paranaense e Estadual de Londrina.

Eles não produziam objetos e utensílios de cerâmica, como os Guaranis e Caingangues, mas instrumentos esculpidos em pedra, como ferramentas de cortar e de raspar.

O resultado deste trabalho, em sete anos, pode ser visto na sede do laboratório ligado ao grupo, chamado de Tulha. São mais de 80 mil fragmentos de utensílios e cerca de 300 peças de cerâmica e muitos outros instrumentos.

Os pesquisadores já descobriram mais de 200 sítios arqueológicos nas bacias dos rios Ivaí, Tibagi, Piquiri, Paraná e Paranapanema. Eles estão cadastrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Arqueológico Nacional, com sede em Brasília.

Segundo o professor Lúcio Tadeu Mota, um dos fundadores do laboratório, a falta de dinheiro impede que sejam feitas as demarcações e as escavações dos sítios.

Antes da pesquisa da UEM, os únicos mapeamentos tinham sido feitos, entre os anos 60 e 80, às margens dos rios Paraná e Paranapanema, para atender à exigência da lei quando da construção das hidrelétricas.

A UEM ampliou os mapeamentos, passando a pesquisar também sítios arqueológicos distantes das calhas dos grandes rios. O trabalho se estendeu para as outras regiões distantes dos grandes rios do terceiro planalto paranaense.

O grupo incentiva as prefeituras, especialmente as pequenas, a criarem, com a orientação dos pesquisados, os acervos locais, em forma de museus, com o objetivo de preservar as descobertas arqueológicas, mas a falta de recursos não permite que isso ocorra.

Por meio de projetos, os pesquisadores têm conseguido alguns recursos como o do Fundo Nacional do Meio Ambiente, Fundo Nacional de Cultura, Fundação Araucária, além de bolsas de iniciação científica do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e de mestrado da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). As bolsas beneficiam os alunos envolvidos no trabalho do grupo.

Mesmo com as dificuldades, foi possível montar o laboratório, que possui, além de computadores para os trabalhos do dia-a-dia, equipamentos para o serviço de campo, incluindo barco, veículo e equipamentos de campo.

Prédio Histórico

A sede do programa e do laboratório funciona num prédio histórico, doado pela Companhia Melhoramentos do Noroeste do Paraná.

O prédio era um antigo depósito de café em Maringá, de madeira, construído em 1950. Desmontado, foi reconstruído e adaptado com suas características originais no câmpus da UEM. O local é o Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etno-História, conhecido como Tulha.

Embora as pesquisas arqueológicas tenham se destacado, o grupo também desenvolve pesquisas em história, etno-história das populações indígenas no Paraná, construção do Estado e confrontos civilizacionais, educação escolar indígena, história ambiental, lingüística indígena e minorias étnicas e etno-nacionalismos.

Desenvolve também atividades de ensino e extensão, procurando levar as descobertas científicas ao conhecimento popular, por meio de exposições itinerantes, cursos e palestras.

Como prestação de serviços, elabora laudos arqueológicos, pois sem este tipo de laudo a legislação não autoriza a implantação de grandes projetos como usinas hidrelétricas, loteamentos ou gasodutos.
Segundo Tadeu Mota, o Paraná tem, hoje, em torno de 10 mil índios. Os Guaranis e os Caingangues são maioria. Existem, ainda, remanescentes dos Xetás e dos Xoclengues. Os Caingangues estão mais presentes na Região Central do Paraná, em reservas como a de Manoel Ribas, perto de Ivaiporã.

O trabalho desenvolvido pelo grupo da UEM vem contribuindo para a preservação destas culturas. Dois exemplos: os pesquisadores estão assessorando o Núcleo Regional de Educação de Ivaiporã no plano estadual de educação sobre a educação escolar indígena e, por meio de projetos financiados pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, irá fornecer, aos Caingangues da Terra Indígena Ivaí, material de apoio pedagógico em salas de aula, com dados sobre hidrologia, ocupação de solo, e características da fauna e flora da reserva. Tudo isso, com informações em duas línguas, a portuguesa e a Caingangue.

 

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