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ISSN: 2238-5010 - Jornal da UEM nº 116 - Julho/2014

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Pesquisa revoluciona sistema de pulverização em lavouras Imprimir E-mail
Jornal 22 - Julho de 2005

Ideal principalmente para estufas, o modelo foi desenvolvido
durante a tese de doutorado de um professor de Agronomia

Paulo Pupim

Após cerca de três anos de pesquisa, o professor José Gilberto Catunda Sales, do Departamento de Agronomia da UEM, elaborou tese de doutorado e desenvolveu um sistema ideal para pulverização que, se aplicado pela indústria, pode beneficiar economicamente o produtor rural, além de aumentar a eficiência desse trabalho.

O tipo de pulverização praticado convencionalmente no Brasil desperdiça muito agrotóxico no trabalho de combate às pragas e às plantas daninhas. Conforme Sales, o País consome cerca de 150 mil toneladas de produtos químicos ao ano, um ralo por onde saem US$ 8 bilhões.

O gasto com agrotóxicos representa cerca de 25% do custo de produção ao agricultor. Com contribuições, como a desenvolvida pelo professor, o consumo pode ser reduzido, mas com a obtenção dos mesmos resultados.

O sistema desenvolvido tem, em princípio, mais condições de ser aplicado nas áreas de estufas.

Do ponto de vista da preservação da natureza, o equipamento é politicamente correto

A pulverização não é a mesma coisa que aplicação, embora pareçam termos semelhantes na visão de um leigo. Enquanto na aplicação o produto deve atingir o alvo com gotas de tamanho e densidade adequados à meta proposta, a pulverização se resume no processo físico-mecânico de quebra do líquido. Dependendo de vários fatores, entre eles, máquina, operador e produto, esse líquido pode não atingir o alvo de forma eficiente ao objetivo proposto.

Isso equivale dizer que na pulverização de um determinado produto, se não for priorizada a eficiência em todas as etapas da operação, os alvos não são afetados, como alguns insetos que se protegem nas partes mais internas das plantas e de algumas ervas daninhas.
Qualquer diminuição na dosagem do produto aplicado na lavoura também faria com que os produtores rurais sofressem menos pressão dos órgãos ambientalistas, pois a medida, do ponto de vista da preservação da natureza, é politicamente correta.

Testes - Para chegar ao modelo ideal, foram analisados diversos ângulos de pulverização numa área experimental no câmpus universitário. Os testes levaram em conta vários fatores, inclusive a interferência do vento.

Sales projetou um pulverizador suspenso por trilhos e impulsionado pelo motor elétrico, que consegue executar a operação de pulverização em um espaço suficiente para as análises exigidas na pesquisa.

Ao longo dos experimentos, os dados apontaram uma variação de ângulo ideal para a aplicação de agrotóxicos. Os testes foram realizados sempre no início da manhã e no final da tarde, quando as condições de vento e umidade relativa do ar favorecem a eficiência da aplicação.

Eficácia - O sistema desenvolvido na UEM buscava confirmar a hipótese de que, mudando a angulação da barra de pulverização, a eficácia na deposição seria melhorada. Os testes foram realizados com capim brachiaria e Sales concluiu que a inclinação da barra de pulverização do equipamento em ângulos de 30 e 45 graus, no mesmo sentido do deslocamento, proporciona maior eficiência de controle do que a obtida com a do ângulo de zero grau, que é comumente utilizada. O professor também afirma que essa modificação na barra poderá favorecer o combate à pragas como a ferrugem da soja.

Pulverização não é o mesmo que aplicação, embora pareçam termos semelhantes na visão de um leigo.

Para estudar a deposição das gotas pulverizadas, foram utilizados cartões de papel sensível à umidade, afixados na base e nas folhas das plantas, para marcar os pontos atingidos pela pulverização durante a experimentação. Atualmente, em vez do agrotóxico o professor vem trabalhando com corantes alimentícios nas cores amarelo e azul. Por meio da leitura por espectrofotometria, que determina a concentração de espécies químicas mediante a absorção de luz, identifica-se exatamente aonde o produto pulverizado é depositado no alvo estabelecido.

Tese - A pesquisa de doutorado teve a orientação do professor Jamil Constantim, também do Departamento de Agronomia da UEM. A tese foi defendida em maio de 2004, época em que a UEM requereu a patente do sistema desenvolvido. O processo ainda está tramitando. Para Sales, o registro do invento traz diversos benefícios para a Universidade. Contribui com a pontuação do curso de Agronomia na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e reforça o reconhecimento da UEM como geradora de informação e tecnologia.

 

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